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INTRODUÇÃO À ESCUTA PSICANALÍTICA 2023

Curso exclusivamente presencial

 

A SBPSP oferece 06 vagas em sistema de cotas para profissionais negros, indígenas e refugiados para este curso.

Esta iniciativa faz parte das ações do Projeto Virginia Bicudo, que a SBPSP vem instituindo desde 2021, contra discriminações raciais, étnicas e sociais, e a favor de maior acessibilidade às atividades promovidas por esta instituição.

 
Objetivo geral: construção de uma escuta psicanalítica, introduzindo o método a partir da exploração de conceitos fundamentais da Psicanálise, tanto em relação à prática clínica quanto na dimensão do pensamento sobre a cultura e a comunidade.
 
Duração: 2 anos, organizados em seminários teóricos e discussões clínicas.
 
Horário: Sextas-feiras das 13 às 16:15hs (dois horários: das 13h00 às 14h30 e das 14h45 às 16h15)
 
Público-Alvo: profissionais com ensino superior com interesse em aproximar-se da clínica psicanalítica visando articulações com diferentes campos de atuação. (Obs.: este curso não habilita o aluno como psicanalista).
 
Inscrição: 16/09 a 10/11/2022 pelo site www.sbpsp.org.br com apresentação do currículo no qual deverá constar: nome, idade, formação acadêmica, experiência clínica, análise pessoal, e-mail e telefone.
 
Processo seletivo: entrevistas com os professores do curso (entre 03/10 e 05/12/2022)
Resultado: 19/12/22
 
Matrículas: 09 a 27/01/23 – lista de espera de 28/01 a 17/02/23
 
Vagas- 36 vagas
 
Certificação: mínimo de 75% de presença no total do curso
 
Informações sobre o sistema de cotas deste curso:
1- Inscrição: os candidatos que têm interesse em concorrer às cotas devem indicar sua escolha na ficha de inscrição (site da SBPSP).
2- Vagas: 6 vagas
3- Seleção: entrevistas com os professores do curso (entre 03/10 e 02/12/2022).
Será considerada a ordem de chegada dos inscritos. Este sistema de cotas trabalha com lista de espera.
 
Coordenação: Magda Guimarães Khouri e Eduardo de São Thiago Martins.
 
Professores:
Alexandre Socha
Audrey Setton Lopes de Souza
Bernardo Tanis
Berta Hoffmann Azevedo
Cecília Maria de Brito Orsini
Daniel Delouya
Eduardo de São Thiago Martins
Eliana Rache
Elza Vera Kunze Post Susemihl
Francisca Vieitas Vergueiro
Luís Carlos Menezes
José Martins Canelas Neto
Magda Guimarães Khouri
Maria da Penha Zabani Lanzoni
Maria de Lurdes de Souza Zemel
Marina Massi
Marina Ramalho Miranda
Marlene Rozemberg
Mônica Dias Vianna Braga de Sá
Oswaldo Ferreira Leite Netto
Raya Angel Zonana
Rodrigo Lage Leite
Ronis Magdaleno Júnior
Silvana Rea
Silvia Bracco
 
(Obs.: o corpo docente poderá sofrer alterações pontuais ao longo do curso.)
Organização do curso:
 
1º semestre
Módulo 1:O que especifica a escuta psicanalítica (16 aulas) – primeiro horário.
Módulo 2: História da Escuta Psicanalítica (16 aulas) – segundo horário.
 
2º e 3º semestres: 
Módulo 3: Formas de sofrimento psíquico: uma introdução à psicopatologia psicanalítica
(32 aulas) – primeiro horário
Discussão clínica – segundo horário
 
4º semestre:
Módulo 4: Psicanálise, cultura e comunidade (16 aulas) – primeiro horário.
Discussões clínicas (8 aulas) – segundo horário.
Discussão de filmes, experiências com comunidade e oficinas clínicas (8 aulas)
segundo horário.
 
Módulo 1: O que especifica a escuta psicanalítica: escuta analítica, o estrangeiro da fala. (16 aulas)
 
Professor responsável: Francisca Vergueiro
 
Objetivo:  sensibilizar para a originalidade do diálogo analítico.  Partiremos da ideia freudiana de que a consciência é uma parte restrita do psiquismo (FREUD “Uma dificuldade da psicanálise” 1917)
A hipótese freudiana de processos não conscientes em obra no psiquismo humano é deduzida da teoria do recalcamento.  A teoria do recalcamento é o pilar da psicanálise (FREUD, “Contribuição à história do movimento psicanalítico” 1914). 
Como apreender o Inconsciente no campo da fala?
Freud desenvolveu um método de escuta a partir do modelo da Interpretação do Sonho.  A interpretação põe em evidência os processos primários nos quais as palavras são despojadas dos elos lógicos construídos sob a ação do recalcamento. (FREUD, “O delírio e os sonhos na Gradiva de Jensen”).
O dispositivo da escuta apoia-se na demonstração freudiana de que é junto do outro que o homem aprende a conhecer.  Estrangeiro e próximo, o outro (Nebenmensch) tem caráter determinante para nossa existência, a economia de nossos prazeres e desprazeres construiu-se junto dele.
Desde 1895, o aparelho psíquico é concebido a partir de uma relação com o outro, que não é bem o próximo, mas o que está ao lado capaz de realizar uma ação especifica ao encontro do infante frente ao seu desamparo na situação de dependência original humana.
“Ela [a ação específica] se efetua por ajuda alheia, quando a atenção de uma pessoa experiente é voltada para um estado infantil por descarga através da via da alteração interna [por exemplo, pelo grito da criança]. Essa via de descarga adquire, assim, a importantíssima função secundária da comunicação, e o desamparo inicial dos seres humanos é a fonte primordial de todos os motivos morais.” (“Projeto de uma psicologia para neurólogos” FREUD, 1895). Estabelece-se, nestas bases, o lugar central da transferência – fundamento pulsional do trabalho interpretativo – no âmago do processo analítico.
 
Metodologia:  16 seminários dedicados à discussão dos textos acompanhada de vinhetas clínicas, exemplos da literatura ou do cinema.
 
Módulo 2: História da Escuta Psicanalítica (16 aulas)
 
Professor responsável:  Cecília Maria de Brito Orsini e Berta Azevedo
 
Objetivo: Através da perspectiva histórica, pretende-se apreender como se desenvolve o campo psicanalítico, a partir dos problemas sempre renovados, colocados por Freud. Este é o papel da obra clássica – tematizar questões cruciais que continuam a pulsar nos diversos autores que a ela se sucedem. A partir daí, pretendemos abordar como se constroem – e podem se somar – diferentes referentes de escuta psicanalítica, dissolvendo a ideia de que alguma abordagem detenha a “verdade” sobre a prática psicanalítica. A verdade de cada autor é sempre parcial e provisória.
 
Metodologia:
4 seminários: Freud, o tronco e os ramos
12 seminários – Caminhos propostos pelos diferentes autores Os diferentes autores serão abordados a partir da(s) solução(ões) encontrada(s) na peculiaridade de sua clínica, resultando na construção particular de seu vértice de escuta, acompanhado de vinhetas clínicas.
Klein
Bion
Winnicott
Lacan
 
Obs. o número de seminários para cada tema poderá variar de acordo com a maior especificação do programa
 
Módulo 3: Formas de sofrimento psíquico: uma introdução à psicopatologia psicanalítica (32 aulas)
 
Professores responsáveis: Audrey Setton Lopes de Souza e Elsa Vera Kunze Post Susemihl
 
Objetivo: Esta disciplina visa apresentar aos alunos a singularidade do olhar psicanalítico sobre o conflito e a dor psíquica e os modos do sujeito se posicionar em face destes. Não pretende ser exaustivo, mas sim, desde uma perspectiva clínico teórica sensibilizar os alunos para um olhar metapsicológico e clínico sobre as modalidades de sofrimento psíquico (psicopatologia psicanalítica) e a especificidade da clínica psicanalítica, despertando o interesse para futuros aprofundamentos.
 
Metodologia: Explorar a partir de uma escuta psicanalítica, diversas modalidades de sofrimento psíquico. Levando em consideração as ideias de conflito psíquico, desejo, angústia e formação de sintomas procuraremos compreender diferentes “saídas “ou formas de organizar-se frente à dor e ao conflito.
Para atingir este objetivo partiremos de algumas situações clínicas como disparadoras para tentar compreendê-las à luz de diferentes modelos teóricos psicanalíticos.
Abordaremos também as “novas formas de sofrimento psíquico” que encontramos na clínica psicanalítica contemporânea como abertura para uma ampliação do espectro da teoria e da clínica psicanalítica.
PSICANÁLISE E PSIQUIATRIA: diferentes modelos epistemológicos
CONFLITO E SINTOMA: O nascimento de uma nova perspectiva clínica
FORMAÇÕES DO INCONSCIENTE: sonhos, psicopatologia da vida cotidiana, o sentido do sintoma
MODALIDADES DE SOLUÇÃO DE CONFLITO- exploraremos, partindo de materiais clínicos, variadas modalidades de posicionamento subjetivo (enfrentamento) face ao desejo inconsciente e a angústia com o objetivo de explicitar as diferentes modalidades de funcionamento psíquico.
Organizações neuróticas e psicóticas
Narcisismo, o Eu e as clivagens
Luto, Depressão e melancolia
Os limites da representação e suas formas
Os casos limites
As patologias do vazio
 
Módulo 4: Psicanálise, cultura e comunidade (32 aulas)
 
Professores responsáveis:  José Martins Canelas Neto e Magda Khouri
 
Objetivo: As implicações das transformações históricas e sociais na constituição da subjetividade convocam a psicanálise a pensar nas suas relações com a cultura. Partindo da noção de que a escuta do sujeito está inscrita na cultura, o objetivo é introduzir aos alunos as conexões do pensamento psicanalítico com as questões sociais vigentes.
Trata-se de uma abordagem que envolve clínica psicanalítica e política, no sentido de refletir sobre os efeitos na nossa subjetividade gerados pelo racismo, questões de gênero, abismo social, entre outros fenômenos presentes na realidade brasileira. Do silenciamento histórico à possibilidade da psicanálise contribuir na reflexão e nas intervenções junto a sujeitos submetidos às diversas formas de sofrimento psíquico-social.
 
Metodologia: Na primeira parte do curso trabalharemos os textos clássicos freudianos que fazem referência à cultura, tais como Mal-estar na civilização, Totem e tabu, Psicologia das massas e análise do eu entre outros.
Na segunda parte do curso, dividiremos os temas em duas aulas:
Na primeira aula abordaremos os entrelaçamentos do pensamento psicanalítico com outras áreas do conhecimento: filosofia, antropologia, psiquiatria, literatura, cinema, teatro, artes plásticas, música.
A segunda aula será dedicada à apresentação de diferentes modalidades clínicas do fazer psicanalítico na comunidade, envolvendo os trabalhos com grupos e instituições, assim como discussão de filmes e obras de arte de um ponto de vista psicanalítico. Também introduziremos reflexões psicanalíticas voltados à compreensão dos fenômenos sócio-políticos e do mal-estar na cultura de nossos tempos.
Em algumas aulas (do segundo horário) haverá a apresentação dos trabalhos dos alunos que envolvam os temas do módulo IV, tanto no atendimento clínico individual como nas ações que desenvolvem em instituições.
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