Com alegria informamos que já está no ar o sexto episódio do Programa do Mirante sobre Psicanálise e Democracia. Tratamos do tema Direito à cidade. Uma utopia? Podemos voltar a sonhar cidades mais equânimes a partir do resultado das eleições em nosso país?
Para essa conversa convidamos nossa querida amiga psicanalista Lucia Palazzo e o arquiteto e urbanista Carlos Henrique Lima.
Lucia é psicanalista, presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro. Ex-editora da Revista Calibán e ex-diretora de Publicações e Comunicação da Federação Psicanalítica da América Latina. Ex-editora do Intervalo Analítico da SBPRJ.
Carlos é arquiteto e urbanista formado pela Universidade de Brasília, doutor em urbanismo pela PROURB da UFRJ, e atualmente professor e pesquisador da FAU UnB, onde leciona disciplinas de teoria e projetos de arquitetura.
A conversa foi excelente, boa de ouvir. Mas peço a compreensão de vocês quanto a alguns ruídos no som. Infelizmente a internet no Rio, no momento da gravação, estava muito instável o que prejudicou um pouco o som durante a fala da Lucia. O fato de gravarmos à distância esse tipo de problema pode ocorrer… segue o link do podcast Spotify
A seguir enviamos o nosso texto de abertura, sempre desenvolvido e escrito pela equipe de Curadoria do OP
Muros, cercas, prédios, periferias, favelas, condôminos, transeuntes, ruínas. A cidade contemporânea e seus fluxos exibem as linhas de processos coloniais não resolvidos, repercutem o impacto das mudanças geopolíticas de exclusão, a privatização dos espaços públicos e as incertezas acerca do futuro.
Na contemporaneidade a necessidade de redução das emissões de carbono torna-se uma política urgente. Ao mesmo tempo o planejamento atual da arquitetura das grandes cidades segue com suas torres reluzentes de vidro e metal.
Por outro lado, as ficções nos transportam para outros lugares e semeiam um território imaginativo. Da cidade utópica de Thomas Morus aos meandros das “Cidades Invisíveis” de Italo Calvino, o que perdemos pela ditadura do imediatismo? É possível fazer o olhar recuperar a delicadeza da paisagem na cidade? Em épocas distópicas, ao nos deparamos com uma pandemia e a ascensão de governos de extrema direita, é ainda possível imaginar a cidade do futuro utopicamente?
A psicanálise, desde Freud, constrói possibilidades de aberturas a espaços antes impensados. Teremos alguma contribuição a dar hoje ao porvir? Precisaremos ocupar novos espaços na cidade? Será esse o nosso sonho utópico urgente?
Abraços a todos, Beth Mori