
Olá, pessoas queridas,
Nos últimos dias, a palavra machosfera voltou a circular com força, impulsionada pelo documentário de Louis Theroux na Netflix e também pelos debates sobre sua versão brasileira.
Por esse motivo, nos debruçamos sobre esse acontecimento no 50º episódio do podcast Mirante, dentro da temporada “O sexual na Polis”.
Lançamos hoje o programa “A machosfera e a negação do feminino”. E, para essa conversa, convidamos o nosso querido amigo, o psicanalista Ignácio Paim, e a filósofa da Unicamp Yara Frateschi.
Entendemos que a machosfera parece ter se tornado uma pedagogia afetiva e política: ela ensina homens e meninos a interpretar o próprio sofrimento, oferece identidade, organiza o ressentimento e transforma o feminino em inimigo, ameaça ou objeto.
Nessa direção, talvez seja interessante lembrar a reflexão da escritora estadunidense Ursula K. Le Guin, no ensaio A ficção como cesta: uma teoria. Em vez de organizar a experiência humana em torno do herói, da conquista e da arma, Le Guin chama atenção para aquilo que recolhe, contém e sustenta a vida: a cesta, o recipiente, o gesto de guardar, carregar, alimentar, cuidar. Sua leitura nos ajuda a perceber o quanto nossa cultura segue valorizando aquilo que aparece, se impõe e conquista, em detrimento daquilo que sustenta silenciosamente a existência.
Também hoje, a vida pública, a visibilidade e o reconhecimento parecem valer mais do que o trabalho doméstico, o cuidado e tudo aquilo que permanece nos bastidores da vida social. Andy Warhol previu os “quinze minutos de fama”; as redes sociais transformaram essa profecia em mandamento cotidiano. Multiplicam-se as publicações, a busca por curtidas, a aspiração a tornar-se conhecido, influente, monetizável. Nesse cenário, o espaço doméstico, o trabalho invisível e a dependência mútua aparecem cada vez mais como rebaixamento.
Seria a machosfera uma resposta regressiva a esse mundo? O que ela promete restituir aos homens? Que sofrimento ela captura e de que maneira o transforma em ressentimento, misoginia e fantasia de poder? E o que essa recusa do feminino revela sobre a nossa cultura hoje?
Convidamos vocês a escutarem e a compartilhar este novo episódio do Mirante.
Estamos presentes nos principais tocadores de áudio. Seguem os links de dois deles:
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Escutem. E, nos contem por aqui, o que acharam do nosso programa. Ficaremos contentes em receber o retorno de vocês.
Um abraço, boa noite
Curadoria do Observatório Psicanalítico FEBRAPSI
