A DCC apresenta a MOSTRA DECOLONIAL DE ARTE E PSICANÁLISE, uma ação longitudinal de curadoria, através de parcerias com artistas de diversas modalidades.
A primeira atividade da MOSTRA acontece dia 24 de maio, na praça Roosevelt, numa parceria com a Cia. de Teatro Os Satyros.
A Cia. de Teatro Os Satyros fará uma sessão especial do espetáculo QUASE TODOS para a SBPSP em sua sede, o Espaço dos Satyros (Praça Roosevelt), no dia 24 de maio (domingo) às 18h.
Após a sessão, os dramaturgos Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez conversam com as colegas Magda Khouri e Maria Regina Junqueira.
SOBRE O ESPETÁCULO:
Quatro irmãos, criados numa pequena cidade do interior do Brasil, fazem um pacto na infância. Na juventude, deixam a casa dos pais e seguem caminhos distintos. O que parecia apenas o curso natural da vida transforma-se em afastamento prolongado. Anos passam sem encontros, sem revisões, sem confrontos necessários.
Mas Quase Todos não é uma peça sobre reencontro. É uma peça sobre fratura.
O espetáculo examina a família como primeira estrutura simbólica que nos organiza — a primeira escola da solidão.
Em um mundo que valoriza mobilidade, autonomia e desempenho, os laços se tornam cada vez mais frágeis, negociáveis, intermitentes. O espetáculo observa esse fenômeno sem nostalgia e sem julgamento. Interessa-lhe a transformação.
A montagem acrescenta uma camada inquietante ao inserir a inteligência artificial no centro da narrativa Num tempo em que registramos tudo e experimentamos pouco, Quase Todos desloca a discussão tecnológica para o campo afetivo. A memória comprada pode reproduzir imagens e sensações, mas não carrega o risco, o conflito, o desgaste que constituem a experiência real.
É o risco que funda o laço?
Com dez atores em cena, cenografia que integra inteligência artificial e trilha sonora original, a montagem reafirma a pesquisa da Cia. de Teatro Os Satyros na articulação entre pensamento crítico e experiência sensível.
Entre memórias fragmentadas, silêncios herdados e tentativas de reconexão, a família se reencontra — ou quase. O espetáculo percorre o tempo como matéria dramática e expõe as fissuras que ele provoca: o que foi dito, o que ficou por dizer e o que talvez já não possa mais ser reparado.

