Observatório Psicanalítico OP 654/2026

Ensaios sobre acontecimentos sociopolíticos, culturais e institucionais do Brasil e do mundo

Um silêncio ensurdecedor: uma leitura a partir da dor

Margareta Hargitay Wieser

(Asovep – Associação Venezuelana de Psicanálise)

Atrevo-me a escrever este texto não apenas para transmitir como se vive com medo, mas para interrogar o silêncio que se constrói em torno desse medo. Escrevo para dar conta do que nos habita. Desse silêncio que não é neutro nem inocente; que se torna compartilhado, legitimado e racionalizado. Escrevo porque, quando o silêncio se instala como norma, acaba por organizar tanto a vida psíquica quanto os laços sociais.

A partir de contextos mais protegidos, costuma ser difícil compreender até que ponto a realidade externa pode invadir, colonizar e empobrecer o pensamento. E aqui devo assinalar outro matiz: parte do nosso silêncio não se deve apenas ao medo da represália interna. Ele responde também à dificuldade de interlocução com um mundo que, frequentemente, nos observa com uma atitude condescendente. Esse olhar externo que simplifica a nossa tragédia, que acredita ter soluções mágicas ou que nos reduz a vítimas sem história. Diante dessa simplificação que nos tutela moralmente desde fora, o silêncio ergue-se, por vezes, como uma barreira de dignidade.

Na Venezuela, o medo não aparece como um acontecimento excepcional, mas como uma condição permanente da existência. Não se trata unicamente do temor à violência física ou ao encarceramento, mas do medo de falar, de pensar em voz alta, de dizer o que se vê e o que se vive.

É imperativo reconhecer a cronicidade desse dano. Não estamos diante de uma crise conjuntural, mas de uma erosão que opera sobre nós há trinta anos. Três décadas nas quais a liberdade da palavra foi progressivamente confiscada. O medo sedimentou-se no caráter, naturalizando o silêncio como se fosse a única forma possível de habitar o laço social.

Lamentavelmente, não posso falar a partir das leis internacionais nem da geopolítica; esse não é o meu terreno, nem pretendo ocupá-lo. Falo a partir da única coisa que conheço de perto: o sofrimento subjetivo. Sigo aqui a trilha de Svetlana Alexievich que, em A guerra não tem rosto de mulher, ensinou-nos a olhar a história não pelos mapas dos generais, mas pela dor cotidiana daqueles que a padecem.

Não gostaria de abordar esta situação a partir da noção de soberania política de um Estado, mas de algo mais frágil e central para a psicanálise: a soberania psíquica. A possibilidade de sentir-se autorizado a pensar, a duvidar, a associar livremente.

A esse silenciamento soma-se uma operação regressiva de enorme alcance: a infantilização da população. Rouba-se a voz do sujeito e coloca-se-o numa posição de dependência. Aparece a figura de um pai onipotente, um líder fanático que cria, como diria Cassorla, um mundo “hiper-real”, que decide por todos, que promete proteção em troca de obediência e castiga a diferença como ameaça. Do ponto de vista psíquico, essa infantilização debilita a responsabilidade subjetiva e favorece a submissão.

Esse clima invade inevitavelmente a clínica; a “ecologia” familiar torna-se sinistra (Unheimlich). Vejo isso em Elena que, em meio a um relato pessoal, se detém, vira o telefone com a tela para baixo sobre a mesa e sussurra: “Não sei se devo dizer isto aqui”. Não se trata de uma resistência neurótica clássica; é o cálculo de risco diante de um Outro persecutório. Elena sabe que seu pensamento está preservado, mas sua palavra está sequestrada.

Trabalho também com pacientes que sofreram a chamada “liberdade condicional”. O paciente já não está encarcerado, mas não pode viajar, não pode falar do vivido, deve apresentar-se periodicamente às autoridades, temendo, a cada comparecimento, ser novamente detido. Do ponto de vista psíquico, concede-se uma liberdade esvaziada de palavra, uma liberdade sob tutela. Que tipo de liberdade é aquela que exige silêncio?

Mas não é apenas o paciente que vive sob essas condições. O psicanalista também não fica à margem. O medo entra na contratransferência e ameaça empobrecer a escuta. Sustentar o enquadre implica, então, metabolizar o próprio medo para que ele não se transforme em adaptação silenciosa ou falsa neutralidade.

É aqui que os eventos recentes, a intervenção estrangeira e a captura de figuras de poder, operam como o que talvez Bion chamaria de uma mudança catastrófica social. Uma ruptura violenta do continente que ameaça a coesão psíquica. A intervenção rompe o enclausuramento, sim, mas o faz com uma violência que nos confronta com nossa ferida narcísica mais dolorosa: se estamos diante desse desfecho forçado, é porque falhamos em nossa capacidade de produzir uma mudança interna própria.

A prova mais contundente desse fracasso são os 8 milhões de venezuelanos no exílio. Não são apenas uma estatística; são uma perda irreparável. São a evidência de um continente interno que se rompeu e expulsou suas partes vitais para sobreviver. Essa hemorragia humana é o sintoma de nossa incapacidade coletiva de alojar a vida e a diferença.

E, para além do luto, estamos diante da incerteza absoluta do que virá. Bion ensina-nos que, após uma mudança catastrófica, a reintegração não está garantida. Hoje enfrentamos a pergunta mais inquietante: como se reorganizará o tecido social diante desse trauma coletivo? O tecido não está apenas rompido pela polarização política; está dilacerado pela desconfiança crônica e pela ruptura dos pactos básicos de convivência. A intervenção externa pode forçar uma mudança estrutural, mas não pode cerzir o laço social. Essa reorganização dependerá da nossa capacidade, hoje diminuída, de metabolizar o trauma sem repetir a violência. Não sabemos que forma tomará essa nova sociedade, e essa incerteza é, em si mesma, uma fonte de angústia clínica e social que não podemos desestimar.

Diante dessa ferida e dessa incerteza, surge a tentação da idealização do salvador externo ou do ódio puro. Penso numa paciente exilada que, diante das notícias, me disse com fúria fria: “Por mim, que morram todos; o ódio não me deixa viver em paz”.

Aqui reside o paradoxo ético que devemos sustentar sem simplificações: defender a soberania nacional diante do atropelo externo não significa esquecer que nossa soberania cidadã foi confiscada internamente durante os últimos trinta anos. Não defendemos o governo que nos infantilizou, perseguiu, censurou e castigou; defendemos nossa capacidade de não entregar o destino a um amo estrangeiro. Aceitar a tutela externa como “salvação” dói, e dói profundamente, porque nos confronta com uma realidade ineludível: apesar de nossos esforços e sacrifícios, ainda não conseguimos recuperar a democracia por nós mesmos.

A palavra, nesse cenário, adquire um valor profundamente subversivo. Não porque enuncie verdades absolutas, mas porque restitui a possibilidade de pensar diante do fanatismo e da simplificação externa. Falar rompe a infantilização, introduz diferença, permite historizar.

Com frequência aparece a ideia de que a única saída possível é o exílio. Sem desconhecer que, para muitos, ele foi uma medida de sobrevivência, é fundamental interrogar a naturalização da fuga. Pois, junto ao exílio geográfico, existe outro, menos visível, mas devastador: o exílio psíquico, vivido tanto por quem parte quanto por quem fica. Os venezuelanos estão atravessados pela dor, não importa onde nos encontremos.

Escrever pode ser pensado, então, como um ato de resistência diante desse exílio interno. Não como um gesto heroico ou ideológico, mas como uma necessidade clínica e ética. Dar palavra ao vivido não elimina o medo, mas impede que o silêncio, seja por terror ou por dignidade diante do olhar alheio, se transforme na única resposta possível. Talvez escrever seja, hoje, uma forma mínima, porém indispensável, de não abandonar o pensamento, nem o outro, nem a nós mesmos.

Referências bibliográficas

Alexievich, S. (2015). A Guerra não Tem Rosto de Mulher. Debate.

Bion, W. R. (1970). Atenção e Interpretação. Paidós.

Cassorla, R. (2020). Fanatismo como fenómeno social y clínico. [Podcast]. International Psychoanalytical Association.

Freud, S. (1915). De guerra e morte. Temas de atualidade. Obras Completas, Vol. XIV. Amorrortu Editores / Imago.

Green, A. (1993). O trabalho do negativo. Amorrortu Editores / Artmed.

Hargitay Wieser, M. (2018). ¿Por qué no hablamos de racismo y discriminación en psicoanálisis? Los venezolanos somos chéveres. Revista Calibán.

Hargitay Wieser, M. (2020). Escenarios políticos latinoamericanos. ¿Cuál podría ser el rol del psicoanalista en estos espacios? Palestra apresentada no Congresso Virtual da FEPAL.

Hargitay Wieser, M. (2022). La escucha analítica. “Turbulencias en la escucha analítica”. Sinopse apresentada nas Jornadas de Difusão ILAP.

Puget, J. (2002). Las relaciones de poder, solidaridad y racismo. Revista de la AsociaciónArgentina de Psicología y Psicoterapia de Grupo.

Sklar, J. (2019). Dark Times: Psychoanalytic Perspectives on Politics, History and Mourning. Phoenix Publishing House.

Volkan, V. (2014). Psychoanalysis, International Relations and Diplomacy: A Sourcebook on Large-Group Psychology. Karnac Books.

Palavras-Chave:  Medo, Silêncio, Soberania psíquica, Trauma coletivo, Laço social.

Imagem: foto da autora em uma manifestação 

Categoria: Política e Sociedade 

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——Texto original em espanhol ————————————————————————–

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Ensayos sobre acontecimientos sociopolíticos, culturales e institucionales en Brasil y en el Mundo

Un silencio ensordecedor: una lectura desde el dolor 

 Margareta Hargitay Wieser (Asociación Venezolana de Psicoanálisis)

Me atrevo a escribir este texto no solo para transmitir cómo se vive con miedo, sino para interrogar el silencio que se va construyendo alrededor de ese miedo. Escribo para dar cuenta de lo que nos habita. De ese silencio que no es neutro ni inocente; que se vuelve compartido, legitimado y racionalizado. Escribo porque, cuando el silencio se instala como norma, terminaorganizando tanto la vida psíquica como los lazos sociales.

Desde contextos más protegidos suele ser difícil comprender hasta qué punto la realidadexterna puede invadir, colonizar y empobrecer el pensamiento. Y aquí debo señalar otro matiz: parte de nuestro silencio no se debe solo al miedo a la represalia interna. Responde también a la dificultad de interlocución con un mundo que, a menudo, nos observa con una actitud condescendiente. Esa mirada externa que simplifica nuestra tragedia, que cree tener soluciones mágicas o que nos reduce a víctimas sin historia. Ante esa simplificación que nostutela moralmente desde afuera, el silencio se erige a veces como una barrera de dignidad.

En Venezuela, el miedo no aparece como un acontecimiento excepcional, sino como unacondición permanente de la existencia. No se trata únicamente del temor a la violencia física o al encarcelamiento, sino del miedo a hablar, a pensar en voz alta, a decir lo que se ve y lo quese vive.

Es imperativo reconocer la cronicidad de este daño. No estamos ante una crisis coyuntural, sino frente a una erosión que lleva treinta años operando sobre nosotros. Tres décadas en las que la libertad de la palabra ha sido confiscada progresivamente. El miedo se ha sedimentado en el carácter, naturalizando el silencio como si fuera la única forma posible de habitar el lazo social.

Lamentablemente, no puedo hablar desde las leyes internacionales ni desde la geopolítica; eseno es mi terreno ni pretendo ocuparlo. Hablo desde lo único que conozco de cerca: el sufrimiento subjetivo. Sigo aquí la estela de Svetlana Alexievich, quien en La guerra no tiene rostro de mujer,  nos enseñó a mirar la historia no desde los mapas de los generales, sinodesde el dolor cotidiano de quienes la padecen. No quisiera abordar esta situación desde la noción de soberanía política de un Estado, sino desde algo más frágil y central para el psicoanálisis: la soberanía psíquica. La posibilidad de sentirse autorizado a pensar, a dudar, a asociar libremente.

A este silenciamiento se suma una operación regresiva de enorme alcance: la infantilización de la población. Al sujeto se le roba la voz y se lo coloca en una posición de dependencia. Aparece la figura de un padre omnipotente, un líder fanático que crea, como diría Cassorla, un mundo “hiperreal”, que decide por todos, que promete protección a cambio de obediencia y castiga la diferencia como amenaza. Desde el punto de vista psíquico, esta infantilización debilita la responsabilidad subjetiva y favorece la sumisión.

Este clima invade inevitablemente la clínica; la “ecología” familiar se vuelve siniestra (Unheimlich). Lo veo en Elena, quien en medio de un relato personal se detiene, voltea suteléfono boca abajo sobre la mesa y susurra: “No sé si debo decir esto  aquí”. No es unaresistencia neurótica clásica; es el cálculo de riesgo ante un Otro persecutorio. Elena sabe que su pensamiento está bien, pero su palabra está secuestrada.

Trabajo también con pacientes que han sufrido la llamada “libertad condicional”. El paciente yano está encarcelado, pero no puede viajar, no puede hablar de lo vivido, debe presentarse periódicamente ante las autoridades, temiendo en cada presentación quedar nuevamente detendo. Desde el punto de vista psíquico, se concede una libertad vaciada de palabra, una libertad bajo tutela. ¿Qué tipo de libertad es aquella que exige silencio?

Pero no solo el paciente vive bajo estas condiciones. El psicoanalista tampoco queda al margen. El miedo entra en la contratransferencia y amenaza con empobrecer la escucha. Sostener el encuadre implica entonces metabolizar el propio miedo para que no se transformeen adaptación silenciosa o falsa neutralidad.

Es aquí donde los eventos recientes, la intervención extranjera y la captura de figuras de poderoperan como lo que tal vez Bion llamaría un cambio catastrófico social. Una ruptura violenta del continente que amenaza la cohesión psíquica. La intervención rompe el encierro, sí, pero lo hace con una violencia que nos confronta con nuestra herida narcisista más dolorosa: si estamos ante este desenlace forzado, es porque nosotros fallamos en nuestra capacidad de lograr un cambio interno propio.

La prueba más contundente de este fracaso son los 8 millones de venezolanos en el exilio. No son solo una estadística; son una pérdida irreparable. Son la evidencia de un continente internoque se rompió y expulsó a sus partes vitales para sobrevivir. Esa hemorragia humana es el síntoma de nuestra incapacidad colectiva para alojar la vida y la diferencia.

Y más allá del duelo, estamos frente a la incertidumbre absoluta de lo que vendrá. Bion nos enseña que tras un cambio catastrófico, la reintegración no está garantizada. Hoy nos enfrentamos a la pregunta más inquietante: ¿cómo se reorganizará el tejido social frente a estetrauma colectivo? El tejido no solo está roto por la polarización política, está desgarrado por la desconfianza crónica y por la ruptura de los pactos básicos de convivencia. La intervenciónexterna puede forzar un cambio de estructura, pero no puede zurcir el lazo social. Esa reorganización dependerá de nuestra capacidad, hoy mermada, de metabolizar el trauma sin repetir la violencia. No sabemos qué forma tomará esa nueva sociedad, y esa incertidumbre es, en sí misma, una fuente de angustia clínica y social que no podemos desestimar.

Frente a esta herida y esta incertidumbre, surge la tentación de la idealización del salvadorexterno o el odio puro. Pienso en una paciente exiliada que, ante las noticias, me dijo con furiafría: —”Por mí que se mueran todos, el odio no me deja vivir en paz”.

Aquí reside la paradoja ética que debemos sostener sin simplificaciones: defender la soberaníanacional ante el atropello externo no significa olvidar que nuestra soberanía ciudadana ha sido confiscada internamente durante los últimos treinta años. No defendemos al gobierno que nos infantilizó, persiguió, censuró y castigó; defendemos nuestra capacidad de no entregar el destino a un amo extranjero. Aceptar la tutela externa como “salvación” duele, y duele profundamente, porque nos confronta con una realidad ineludible: que, a pesar de nuestros esfuerzos y sacrificios, aún no hemos podido recuperar la democracia por nosotros mismos.

La palabra, en este escenario, adquiere un valor profundamente subversivo. No porque enuncie verdades absolutas, sino porque restituye la posibilidad de pensar frente al fanatismo y frente a la simplificación externa. Hablar rompe la infantilización, introduce diferencia, permite historizar.

Con frecuencia aparece la idea de que la única salida posible es el exilio. Sin desconocer que para muchos ha sido una medida de supervivencia, resulta fundamental interrogar la naturalización de la huida. Porque junto al exilio geográfico existe otro, menos visible perodevastador: el exilio psíquico que sufre el que huye y el que se queda. Los venezolanos estamos atravesados por el dolor no importa donde nos encontremos. 

Escribir puede pensarse, entonces, como un acto de resistencia frente a ese exilio interno. No como un gesto heroico ni ideológico, sino como una necesidad clínica y ética. Dar palabra a lo vivido no elimina el miedo, pero impide que el silencio, ya sea por terror o por dignidad ante la mirada ajena, se convierta en la única respuesta posible. Tal vez escribir sea, hoy, una forma mínima pero indispensable de no abandonar el pensamiento, ni al otro, ni a nosotros mismos.

Referencias bibliográficas

Alexievich, S. (2015). La guerra no tiene rostro de mujer. Debate.

Bion, W. R. (1970). Atención e interpretación. Paidós.

Cassorla, R. (2020). Fanatismo como fenómeno social y clínico. [Podcast]. International Psychoanalytical Association.

Freud, S. (1915). De guerra y muerte. Temas de actualidad. Obras Completas, Vol. XIV. Amorrortu Editores.

Green, A. (1993). El trabajo de lo negativo. Amorrortu Editores.

Hargitay Wieser, M. (2018). ¿Por qué no hablamos de racismo y discriminación enpsicoanálisis? Los venezolanos somos chéveres. Revista Calibán.

Hargitay Wieser, M. (2020). Escenarios políticos latinoamericanos. ¿Cuál podría ser el rol del psicoanalista en estos espacios? Ponencia presentada en el Congreso Virtual de Fepal

Hargitay Wieser, M. (2022). La escucha analítica. “Turbulencias en la escucha analítica” Sinopsis presentada en las Jornadas de Difusión ILAP

Puget, J. (2002). Las relaciones de poder, solidaridad y racismo. Revista de la AsociaciónArgentina de Psicología y Psicoterapia de Grupo.

Sklar, J. (2019). Dark Times: Psychoanalytic Perspectives on Politics, History and Mourning. Phoenix Publishing House.

Volkan, V. (2014). Psychoanalysis, International Relations and Diplomacy: A Sourcebook on Large-Group Psychology. Karnac Books.

Palabras clave: Medo, Silencio, Soberanía psíquica, Trauma colectivo, Lazo social.

Imagem: foto de la autora tomada en una marcha

Categoría: Politica y Sociedad

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Tags: Lazo social | Medo | Silêncio | Soberanía psíquica | Trauma colectivo
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