
Ensaios sobre acontecimentos sociopolíticos, culturais e institucionais do Brasil e do mundo
GRAMÁTICA IMPERIAL: Venezuela, o rapto do presidente: por que este ato diz respeito a todos nós
Javier Garcia Castiñeiras – APU (Associação Psicanalítica Uruguaia)
Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, uma operação militar dos Estados Unidos em território venezuelano culminou na captura e no traslado do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, para os Estados Unidos, a fim de enfrentarem acusações penais. Na cobertura internacional e nos debates diplomáticos posteriores, o centro de gravidade rapidamente se evidenciou: a controvérsia não se limitava a um episódio venezuelano, mas ao precedente que se abria para a ordem internacional contemporânea, ao apresentar como “aplicação da lei” aquilo que, por sua escala e método, se assemelha a um ato de força interestatal (Reuters, 2026; The Guardian, 2026a).
Convém dizê-lo com a máxima clareza — e deixá-lo por escrito, pois a propaganda se alimenta de confusões fabricadas —: este tema é independente da opinião que cada um tenha sobre o modo de governar de Maduro ou sobre a legitimidade do processo eleitoral que o proclamou. A intervenção não se justificou principalmente como disputa política, mas como narrativa penal (narcotráfico, “narco-terrorismo”), como se uma acusação criminal pudesse substituir o consentimento do Estado afetado, a autorização do Conselho de Segurança ou uma legítima defesa real e iminente. Em outras palavras: o ponto aqui não é “Maduro”; o ponto é o rapto como método, a força como jurisprudência, a tentativa de instalar uma gramática na qual um Estado se atribui o direito de entrar, bombardear, capturar e depois exigir que o mundo o reconheça como normalidade.
Essa gramática colide com o coração mesmo do direito internacional surgido no século XX. A proibição central de ameaçar ou usar a força contra a integridade territorial ou a independência política de outro Estado — inscrita no artigo 2(4) da Carta das Nações Unidas — não é uma peça ornamental, mas o limite que busca impedir o retorno a um mundo em que “o mais forte” dispõe do mais fraco (United Nations, 1945). Quando esse limite é transposto, não se fere apenas um governo: fere-se a possibilidade de que a soberania seja algo mais do que um privilégio revogável.
Nos dias seguintes, o debate público encheu-se de fórmulas que procuram revestir o ato com um verniz de legalidade: “missão cirúrgica de aplicação da lei”, referências à autodefesa, metáforas de intervenção “técnica”, como se o traje jurídico bastasse para purificar a violência do fato (Reuters, 2026). O problema está justamente nesse deslocamento: pede-se que aceitemos uma transmutação impossível, que reconheçamos como “polícia” aquilo que exibe traços de guerra; que admitamos que um processo penal possa operar como chave mestra para violar fronteiras; que suponhamos que a linguagem administrativa possa tornar neutra a apropriação. Nessa inversão reside uma parte decisiva do escândalo contemporâneo: a violência já não é nomeada como violência, mas como “procedimento”, “transição”, “administração”. E esse deslocamento, longe de ocultar o ato, torna-o mais perigoso, porque tenta convertê-lo em norma.
Não estamos diante de um raio em céu sereno. O registro acadêmico sobre intervenções militares norte-americanas descreve uma densidade histórica que impede ingenuidades. O Military Intervention Project sistematizou dados sobre intervenções desde 1776, mostrando a continuidade e a magnitude do repertório em longa duração (Kushi & Toft, 2023). Ao mesmo tempo, inventários do Congressional Research Service documentam centenas de episódios de uso das forças armadas no exterior ao longo dos séculos (U.S. Congressional Research Service, 2018). Na América Latina, essa história tem nomes próprios, marcas corporais e uma memória que não é abstrata: Operação Condor, desaparecimentos, torturas, perseguições, exílios. Os arquivos desclassificados reunidos pelo National Security Archive mostram até que ponto a violência transnacional foi organizada como tecnologia política nos anos 1970 (National Security Archive, 2015, 2017). E a dimensão doutrinária e formativa dessa violência — manuais, técnicas, pedagogias do “inimigo interno” — ficou reconhecida quando vieram a público materiais de treinamento regional incompatíveis com o Estado de direito (Federation of American Scientists, 1997).
Recordar isso não busca encerrar o pensamento com uma frase resignada (“sempre foi assim”). Ao contrário: busca impedir que a surpresa nos desarme e que o episódio seja lido como exceção acidental. Se existe um padrão, também existe aprendizado; e, se existe aprendizado, existe responsabilidade.
Mas o pós-colonialismo — quando não se reduz a rótulo — ensina algo ainda mais incisivo: que a dominação não se esgota no militar nem no econômico; coloniza a cena simbólica, captura o relato, administra o dizível, distribui quem pode falar e quem fica reduzido a ruído. Aníbal Quijano chamou isso de colonialidade do poder: não apenas o passado colonial como lembrança, mas sua persistência como matriz que organiza hierarquias, saberes e economias mesmo quando a independência formal já ocorreu (Quijano, 2000). Walter Mignolo prolongou essa linha ao mostrar como a colonialidade opera também como regime de conhecimento: decide o que conta como razão legítima e o que fica rotulado como atraso, ameaça ou “irracionalidade”cz (Mignolo, 2005/2007). E Grosfoguel insistiu que a matriz moderno/colonial se reconfigura sem cessar, capturando inclusive linguagens emancipatórias quando estas não revisam suas próprias hierarquias internas (Grosfoguel, 2011).
Said mostrou como o poder produz mundos por meio de discursos que repartem civilização e barbárie; como essa partilha justifica práticas que depois se apresentam como missão moral ou correção necessária (Said, 1978/2002). Spivak radicalizou uma pergunta que hoje ressoa com literalidade: se o subalterno pode falar quando o dispositivo de representação já fala por ele; se aquilo que parece “dar voz” não funciona como ventriloquia que substitui a voz por uma voz autorizada (Spivak, 1988). Bhabha, ao pensar a mimicry, descreveu a ambivalência colonial: o dominado é empurrado a parecer-se com o dominador, “quase o mesmo, mas não totalmente”, numa imitação que fere a identidade e, ao mesmo tempo, deixa um resto de resistência (Bhabha, 1994/2002). E Fanon — com uma potência que segue sendo clinicamente legível — mostrou que a colonização não apenas explora: produz subjetividade, fabrica inferioridade, instala o olhar do senhor dentro do corpo do dominado e deixa o sujeito dividido entre o desejo de parecer-se com o outro e o ódio por essa dependência (Fanon, 1952/2009; Fanon, 1961/2007).
Se trazemos esses autores, não é para recitar bibliografia, mas para tornar visível como o episódio venezuelano condensa mecanismos pós-coloniais clássicos numa modalidade contemporânea. O primeiro elemento é uma securitização total: o político é rebatizado como ameaça criminal. Já não há história, conflito ou antagonismo; há “alvos” e “operações”. Esse deslocamento transforma o debate público em um problema técnico-policial e fecha o direito ao dissenso: se há “narco-terror”, tudo o mais sai de cena. O segundo é um deslocamento do julgamento: a cena judicial (real ou invocada) funciona como máscara ética. Se “é justiça”, então a força se presume pura. Mas quando o direito é invocado para suspender o direito, deixa de ser direito e torna-se ferramenta (United Nations, 1945). O terceiro — e aqui a ferida toca um nervo latino-americano — é a conversão da soberania em condição revogável. O que se ensina, pela via do fato, é que a autodeterminação tem teto; que há bens — recursos, reservas, territórios — cuja administração pode ser reescrita pela força quando convém ao poder hegemônico. Nos relatos da imprensa apareceu a ligação entre o episódio e o horizonte de reordenar, sob tutela externa, o destino do petróleo venezuelano (Reuters, 2026; The Guardian, 2026a).
Para compreender o núcleo mais inquietante do episódio, é preciso introduzir uma leitura que não seja apenas jurídica nem apenas geopolítica, mas também analítica. A cena mostra um excesso que não se limita a dominar: goza em dominar. E esse matiz não é retórico; define o modo como o poder busca produzir efeitos subjetivos. Em Lacan, o supereu não se limita a proibir: ordena, exige, empurra para um plus, para um “a mais” que não se sacia (Lacan, 1969–1970/1992). Esse “a mais” — quando encarnado no poder soberano — torna-se espetáculo: o gesto de poder não se contenta em obter um resultado, precisa mostrar que o obtém, precisa que o outro saiba que é capturável, precisa de testemunhas. Por isso, em termos analíticos, o rapto não é apenas um meio: é uma inscrição, uma marca performativa que pretende ensinar uma lição.
Nessa chave, a figura pública de Trump importa menos como psicologia pessoal e mais como cena: o líder que fala em “administrar” um país, que desloca um ato de força para o registro gerencial, que evidencia a torção contemporânea da linguagem política, na qual a soberania alheia pode ser tratada como bem passível de intervenção e os bens comuns como contabilidade (Reuters, 2026; The Guardian, 2026a). Esse deslocamento exibe um traço que convém nomear como obsceno: o poder já não guarda pudor nem mediação; ele se mostra.
A palavra “pornográfica” é útil se for resgatada da moral e devolvida à sua função crítica. Baudrillard pensou a obscenidade não como escândalo sexual, mas como perda de distância, desaparecimento da cena, exibição total: tudo se torna “demasiado visível”, demasiado imediato, sem resto, sem fora de campo (Baudrillard, 1990/1991). Nessa lógica, o poder já não precisa do pudor das antigas coartadas; ele se exibe, se filma, se narra em tempo real, legitima-se pelo próprio desdobramento. A violência deixa de ser vergonha e vira conteúdo. É o triunfo de uma estética do excesso: não basta ter; é preciso mostrar que se toma. Não basta intervir; é preciso dizer que se “administra”. Não basta acusar; é preciso converter a acusação em permissão para dispor.
Essa pornografia do poder não é um acessório cultural: é uma técnica política que mira o coração do sujeito. Onde o poder se exibe como impune, o sujeito aprende — social e psiquicamente — a reduzir seus movimentos. Instala-se uma pedagogia da precariedade soberana: viver sabendo que a continuidade institucional pode ser interrompida de fora por decisão de um terceiro armado. Agamben chamou isso de estado de exceção quando a suspensão da ordem jurídica deixa de ser parêntese e vira técnica de governo (Agamben, 2003/2004). Mbembe levou a questão ainda mais longe, ao terreno da necropolítica: a soberania como poder de decidir quem pode viver, quem deve morrer ou quem pode ser exposto à morte como condição (Mbembe, 2003/2011). Quando bombardeio, captura e “administração temporária” se alinham como repertório, instala-se uma gramática em que a vida alheia vira custo colateral, uma externalidade tolerável.
E o que isso faz com o sujeito do desejo? Faz algo duplo — e essa duplicidade é crucial. No plano social, produz uma forma específica de dessubjetivação: instala uma impotência aprendida, uma sensação de que a soberania é cenográfica e de que o horizonte político está, em última instância, sob tutela. No plano psíquico, produz um efeito íntimo: a incorporação silenciosa de que o pensamento tem zonas proibidas, de que a crítica tem custo, de que há temas que se pensam “até certo ponto”. Fanon descreveu a experiência colonial como fixação desde fora: o corpo e a subjetividade capturados por um olhar que define, rebaixa, ordena (Fanon, 1952/2009). No neocolonialismo contemporâneo, essa fixação não opera apenas pela raça: opera pelo estatuto geopolítico. Ser latino-americano — no imaginário imperial — pode ser reduzido a um pressuposto de disponibilidade: territórios “de influência”, economias “corrigíveis”, governos “substituíveis”.
Em termos lacanianos, o desejo se constitui sempre em relação ao desejo do Outro; mas quando o Outro se torna imperial, o sujeito é empurrado a desejar em função desse Outro: sua aprovação, seu modelo, sua promessa; ou, no reverso, a odiá-lo como único modo de sentir consistência. Em ambos os casos, o desejo fica capturado. Produz-se uma colonização íntima: o sujeito já não deseja; administra sua sobrevivência em um campo alheio (Lacan, 1960/2002). Bhabha mostrou que a imitação nunca se completa: o “quase o mesmo” produz ansiedade e, ao mesmo tempo, deixa uma fissura, uma possibilidade de subversão (Bhabha, 1994/2002). Spivak adverte que, quando o dispositivo já fala por você, até a rebeldia corre o risco de ser reabsorvida como mercadoria discursiva: o subalterno aparece, mas sob a voz do outro (Spivak, 1988). Eis uma das feridas mais finas: o poder não domina apenas recursos; domina o cenário em que o sujeito pode reconhecer-se como autor de sua palavra.
A essa maquinaria soma-se o poder brando (soft power), o trabalho cultural sobre o desejo coletivo. Joseph Nye definiu o poder brando como a capacidade de obter resultados por atração: fazer com que outros “queiram o que nós queremos” (Nye, 1990). Não se trata apenas de bases e porta-aviões; trata-se de indústrias narrativas, moralidades importadas, sensos comuns que tornam “natural” o que é histórico e violento. O resultado é um continente que, mesmo sabendo o que viveu, pode ser levado a duvidar de sua própria memória: foi intervenção ou foi “ajuda”? foi rapto ou foi “justiça”? foi saque ou foi “reconstrução”? Aí se joga a captura do desejo: quando o desejo do sujeito é colonizado pelo desejo do senhor, o sujeito já não deseja; administra sua sobrevivência.
Por isso esta cena nos diz respeito como latino-americanos: não se trata apenas da Venezuela; é o precedente regional de uma soberania condicional. E porque, se não for nomeada com precisão, vira costume. Uma declaração ética — no sentido forte de uma ética do desejo e do pensamento — começa por não delegar a palavra. Não se trata de adesão fanática (“mereceu”) nem de indiferença defensiva (“não é comigo”): ambas facilitam a mesma coisa, a renúncia à condição de sujeito. Trata-se de sustentar uma frase que hoje parece elementar e, no entanto, exige coragem civil: nenhuma diferença política interna autoriza a intervenção armada e o rapto de autoridades como método legítimo de reordenamento internacional. A crítica a um governo — qualquer governo — não pode converter-se em licença para o retorno da tutela imperial.
Dizer isso não “conserta o mundo”, mas preserva o limite. E preservar o limite é preservar a possibilidade de uma vida humana em que o desejo não seja apenas reação e o pensamento não seja apenas medo. Se aceitarmos o rapto como ferramenta normal, aceitamos a redução de nossos países a zonas administráveis; e aceitamos — mais intimamente — a redução de nossas subjetividades a um cálculo de conveniência. O que está em jogo não é uma simpatia política: é a defesa de um princípio sem o qual não há futuro comum. Nomeá-lo é sustentar o limite. E sustentar o limite, hoje, é sustentar a dignidade da palavra e a liberdade do desejo diante da obscenidade do poder quando o poder se disfarça de justiça.
Referências
Agamben, G. (2004). Estado de exceção (A. Gimeno Cuspinera, Trad.). Pre-Textos. (Obra original publicada em 2003)
Baudrillard, J. (1991). A transparência do mal: Ensaio sobre os fenômenos extremos (J. Jordá, Trad.). Anagrama. (Obra original publicada em 1990)
Bhabha, H. K. (2002). O local da cultura (C. Aira, Trad.). Manantial. (Obra original publicada em 1994)
Debord, G. (1999). A sociedade do espetáculo (J. L. Pardo, Trad.). Pre-Textos. (Obra original publicada em 1967)
Fanon, F. (2009). Pele negra, máscaras brancas (I. P. Yáñez, Trad.). Akal. (Obra original publicada em 1952)
Fanon, F. (2007). Os condenados da terra (J. Campos, Trad.). Fundo de Cultura Econômica. (Obra original publicada em 1961)
Grosfoguel, R. (2011). Decolonizando os estudos pós-coloniais e os paradigmas da economia política: Transmodernidade, pensamento decolonial e colonialidade global. Transmodernity: Journal of Peripheral Cultural Production of the Luso-Hispanic World, 1(1), 1–38.
Kushi, S., & Toft, M. D. (2023). Introducing the Military Intervention Project: A new dataset on U.S. military interventions, 1776–2019. Journal of Conflict Resolution, 67(4), 752–779. https://doi.org/10.1177/ 00220027221117546
Mbembe, A. (2011). Necropolítica (E. Falomir, Trad.). Melusina. (Obra original publicada em 2003)
Mignolo, W. D. (2007). A ideia de América Latina: A ferida colonial e a opção decolonial. Gedisa. (Obra original publicada em 2005)
National Security Archive. (2015, 6 de maio). Operação Condor (NSAEBB 514). The George Washington University.
National Security Archive. (2017, 19 de janeiro). Operação Condor, 1975–1980. The George Washington University.
Nye, J. S., Jr. (1990). Bound to lead: The changing nature of American power. Basic Books.
Office of the United Nations High Commissioner for Human Rights. (2026, 6 de janeiro). Declaração sobre a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela e suas implicações para o direito internacional.
Quijano, A. (2000). Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In E. Lander (Org.), A colonialidade do saber: Eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas (pp. 201–246). CLACSO.
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Said, E. W. (2002). Orientalismo (M. Muchnik, Trad.). Debate. (Obra original publicada em 1978)
Spivak, G. C. (1988). Can the subaltern speak? In C. Nelson & L. Grossberg (Orgs.), Marxism and the interpretation of culture (pp. 271–313). University of Illinois Press.
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The Guardian. (2026, 6 de janeiro). Trump suggests U.S. taxpayers could reimburse oil firms for Venezuela investment. The Guardian.
The Guardian. (2026, 4 de janeiro). After Trump’s illegal Venezuela coup, there are two dangers [Opinião]. The Guardian.
Links (para as referências web)
ONU – Carta completa:
Reuters (6 jan. 2026) “World is less safe…”:
The Guardian (6 jan. 2026) “Trump suggests U.S. taxpayers…”:
The Guardian (4 jan. 2026) “After Trump’s illegal Venezuela coup…”:
CRS R42738 (PDF no Congress.gov):
Tufts / Military Intervention Project (página do projeto):
Artigo MIP (SAGE, DOI):
National Security Archive – Condor (evento 2017):
National Security Archive – Condor (NSAEBB 514, 2015):
Relatório “Report on the School of the Americas” (FAS/IRP):
Resumo executivo (FAS/IRP):
Palavras-Chave: rapto, soberania condicional, colonialidade, estado de exceção, obscenidade do poder
Imagem: foto da Getty Images. BBC.
Os EUA atingiram diversas localidades no entorno de Caracas, incluindo o Forte Tiuna, maior complexo militar venezuelano.
Categoria: Política e Sociedade
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——Texto original em espanhol ———————————
Observatorio Psicoanalítico – OP 653/2026
Ensayos sobre acontecimientos sociopolíticos, culturales e institucionales en Brasil y en el Mundo
GRAMÁTICA IMPERIAL: Venezuela, el rapto del presidente: por qué este acto nos concierne a todos
Javier Garcia Castiñeiras – APU
En la madrugada del 3 de enero de 2026, una operación militar de Estados Unidos sobre territorio venezolano culminó con la captura y traslado del presidente Nicolás Maduro y de su esposa Cilia Flores a Estados Unidos para enfrentar cargos penales. En la cobertura internacional y en los debates diplomáticos posteriores, el centro de gravedad quedó rápidamente expuesto: la controversia no se limitaba a un episodio venezolano, sino al precedente que se abría para el orden internacional contemporáneo, al presentar como “aplicación de la ley” lo que, por su escala y método, se asemeja a un acto de fuerza interestatal (Reuters, 2026; The Guardian, 2026a).
Conviene decirlo con la máxima claridad —y dejarlo escrito, porque la propaganda se alimenta de confusiones fabricadas—: este tema es independiente de la opinión que cada quien tenga sobre el modo de gobernar de Maduro o sobre la legitimidad del proceso electoral que lo proclamó. La intervención no se justificó principalmente como disputa política, sino como relato penal (narcotráfico, “narco-terrorismo”), como si una acusación criminal pudiera sustituir el consentimiento del Estado afectado, la autorización del Consejo de Seguridad o una legítima defensa real e inminente. En otras palabras: el punto aquí no es “Maduro”; el punto es el rapto como método, la fuerza como jurisprudencia, la tentativa de instalar una gramática en la que un Estado se atribuye el derecho de entrar, bombardear, capturar y luego exigir que el mundo lo reconozca como normalidad.
Esa gramática choca con el corazón mismo del derecho internacional surgido del siglo XX. La prohibición central de amenazar o usar la fuerza contra la integridad territorial o la independencia política de otro Estado —inscripta en el artículo 2(4) de la Carta de las Naciones Unidas— no es una pieza ornamental, sino el borde que intenta impedir el retorno a un mundo donde “el más fuerte” dispone del más débil (United Nations, 1945). Cuando se la atraviesa, no se hiere solo a un gobierno: se hiere la posibilidad de que la soberanía sea algo más que un privilegio revocable.
En los días posteriores, la discusión pública se pobló de fórmulas que buscan revestir el acto con un barniz de legalidad: “misión quirúrgica de aplicación de la ley”, referencias a la autodefensa, metáforas de intervención “técnica”, como si el ropaje jurídico bastara para purificar la violencia del hecho (Reuters, 2026). El problema es precisamente ese desplazamiento: se nos pide aceptar una transmutación imposible, reconocer como “policía” lo que exhibe rasgos de guerra; admitir que un expediente penal puede operar como llave maestra para violentar fronteras; suponer que el lenguaje administrativo puede volver neutra la apropiación. En esa inversión reside una parte decisiva del escándalo contemporáneo: la violencia ya no se nombra violencia, sino “procedimiento”, “transición”, “administración”. Y ese desplazamiento, lejos de ocultar el acto, lo vuelve más peligroso, porque intenta convertirlo en norma.
No estamos ante un rayo en cielo sereno. El registro académico sobre intervenciones militares estadounidenses describe una densidad histórica que impide ingenuidades. El Military Intervention Project ha sistematizado datos sobre intervenciones desde 1776, mostrando la continuidad y magnitud del repertorio en larga duración (Kushi & Toft, 2023). A la vez, inventarios del Congressional Research Service documentan cientos de episodios de uso de fuerzas armadas en el exterior a lo largo de los siglos (U.S. Congressional Research Service, 2018). En América Latina, esa historia tiene nombres propios, marcas corporales, y una memoria que no es abstracta: Operación Cóndor, desapariciones, torturas, persecuciones, exilios. Los archivos desclasificados reunidos por el National Security Archive muestran hasta qué punto la violencia transnacional se organizó como tecnología política en los años setenta (National Security Archive, 2015, 2017). Y la dimensión doctrinaria y formativa de esa violencia —manuales, técnicas, pedagogías del “enemigo interno”— quedó reconocida cuando se hicieron públicos materiales de entrenamiento regional incompatibles con el Estado de derecho (Federation of American Scientists, 1997).
Recordar esto no busca clausurar el pensamiento con una frase resignada (“siempre fue así”). Al contrario: busca impedir que la sorpresa nos desarme, y que el episodio sea leído como excepción accidental. Si existe un patrón, también existe un aprendizaje; y si existe aprendizaje, existe responsabilidad.
Pero el postcolonialismo —cuando no se reduce a etiqueta— enseña algo más incisivo: que la dominación no se agota en lo militar ni en lo económico; coloniza la escena simbólica, captura el relato, administra lo decible, distribuye quién puede hablar y quién queda reducido a ruido. Aníbal Quijano llamó a esto colonialidad del poder: no solo el pasado colonial como recuerdo, sino su persistencia como matriz que organiza jerarquías, saberes y economías incluso cuando la independencia formal ya ocurrió (Quijano, 2000). Walter Mignolo prolongó esta línea al mostrar cómo la colonialidad opera también como régimen de conocimiento: decide qué cuenta como razón legítima y qué queda etiquetado como atraso, amenaza o “irracionalidad” (Mignolo, 2005/2007). Y Grosfoguel ha insistido en que la matriz moderno/colonial se reconfigura sin cesar, capturando incluso lenguajes emancipatorios cuando estos no revisan sus propias jerarquías internas (Grosfoguel, 2011).
Said mostró cómo el poder produce mundos mediante discursos que reparten civilización y barbarie; cómo esa partición justifica prácticas que luego se presentan como misión moral o corrección necesaria (Said, 1978/2002). Spivak radicalizó una pregunta que hoy resuena con literalidad: si el subalterno puede hablar cuando el dispositivo de representación ya habla por él; si aquello que parece “dar voz” no funciona como ventriloquia que reemplaza la voz por una voz autorizada (Spivak, 1988). Bhabha, al pensar la mimicry, describió la ambivalencia colonial: el dominado es empujado a parecerse al dominador, “casi lo mismo, pero no del todo”, en una imitación que hiere la identidad y, a la vez, deja un resto de resistencia (Bhabha, 1994/2002). Y Fanon —con una potencia que sigue siendo clínicamente legible— mostró que la colonización no solo explota: produce subjetividad, fabrica inferioridad, instala la mirada del amo dentro del cuerpo del dominado y deja al sujeto dividido entre el deseo de parecerse al otro y el odio por esa dependencia (Fanon, 1952/2009; Fanon, 1961/2007).
Si traemos estos autores no es para recitar bibliografía, sino para volver visible cómo el episodio venezolano condensa mecanismos postcoloniales clásicos en una modalidad contemporánea. Lo primero que aparece es una securitización total: lo político se rebautiza como amenaza criminal. Ya no hay historia, conflicto o antagonismo; hay “objetivos” y “operaciones”. Ese desplazamiento convierte la discusión pública en un problema técnico-policial y clausura el derecho a disentir: si hay “narco-terror”, entonces todo lo demás queda fuera de escena. Lo segundo es un desplazamiento del juicio: la escena judicial (real o invocada) funciona como máscara ética. Si “es justicia”, entonces la fuerza se presume pura. Pero cuando el derecho se invoca para suspender el derecho, deja de ser derecho y se vuelve herramienta (United Nations, 1945). Lo tercero —y aquí la herida toca nervio latinoamericano— es la conversión de la soberanía en condición revocable. Lo que se enseña, por la vía del hecho, es que la autodeterminación tiene techo; que hay bienes —recursos, reservas, territorios— cuya administración puede reescribirse por la fuerza cuando conviene al poder hegemónico. En los reportes de prensa apareció la ligazón entre el episodio y el horizonte de reordenar, bajo tutela externa, el destino del petróleo venezolano (Reuters, 2026; The Guardian, 2026a).
Ahora bien: para comprender el núcleo más inquietante del episodio hay que introducir una lectura que no sea solo jurídica ni solo geopolítica, sino también analítica. La escena muestra un exceso que no se limita a dominar: goza de dominar. Y ese matiz no es retórico; define el modo en que el poder busca producir efectos subjetivos. En Lacan, el superyó no se limita a prohibir: ordena, exige, empuja a un plus, a un “más” que no se sacia (Lacan, 1969–1970/1992). Ese “más” —cuando se encarna en el poder soberano— se vuelve espectáculo: el gesto de poder no se contenta con obtener un resultado, necesita mostrar que lo obtiene, necesita que el otro se sepa capturable, necesita testigos. Por eso, en términos analíticos, el rapto no es solo un medio: es una inscripción, una marca performativa que pretende enseñar una lección.
En esa clave, la figura pública de Trump en este episodio importa menos como psicología personal y más como escena: el líder que habla de “administrar” un país, que desplaza un acto de fuerza al registro gerencial, que deja en evidencia la torsión contemporánea del lenguaje político, donde la soberanía ajena puede ser tratada como un bien intervenible y los bienes comunes como contabilidad (Reuters, 2026; The Guardian, 2026a). Ese desplazamiento exhibe un rasgo que conviene nombrar como obsceno: el poder ya no guarda pudor ni mediación; se muestra.
La palabra “pornográfica” es útil si se la rescata de la moral y se la devuelve a su función crítica. Baudrillard pensó la obscenidad no como escándalo sexual, sino como pérdida de distancia, desaparición de la escena, exhibición total: todo se vuelve “demasiado visible”, demasiado inmediato, sin resto, sin fuera de campo (Baudrillard, 1990/1991). En esa lógica, el poder ya no necesita el pudor de las antiguas coartadas; se exhibe, se filma, se narra en tiempo real, se legitima por el propio despliegue. La violencia deja de ser vergüenza y se vuelve contenido. Es el triunfo de una estética del exceso: no basta con tener; hay que mostrar que se toma. No basta con intervenir; hay que decir que se “administra”. No basta con acusar; hay que convertir la acusación en permiso para disponer.
Esta pornografía del poder no es un accesorio cultural: es una técnica política que apunta al corazón del sujeto. Allí donde el poder se exhibe como impune, el sujeto aprende —social y psíquicamente— a reducir sus movimientos. Se instala una pedagogía de la precariedad soberana: vivir sabiendo que la continuidad institucional puede ser interrumpida desde afuera por decisión de un tercero armado. Agamben llamó a esto estado de excepción cuando la suspensión del orden jurídico deja de ser paréntesis y se vuelve técnica de gobierno (Agamben, 2003/2004). Mbembe empujó aún más la pregunta al terreno de la necropolítica: la soberanía como poder de decidir quién puede vivir, quién debe morir o quién puede ser expuesto a la muerte como condición (Mbembe, 2003/2011). Cuando bombardeo, captura y “administración temporal” se alinean como repertorio, se instala una gramática en la que la vida ajena es un costo lateral, una externalidad tolerable.
¿Y qué hace esto sobre el sujeto de deseo? Hace algo doble, y esa duplicidad es crucial. A nivel social, produce una forma específica de desubjetivación: instala una impotencia aprendida, una sensación de que la soberanía es decorado y de que el horizonte político está, en última instancia, bajo tutela. A nivel psíquico, produce un efecto íntimo: la incorporación silenciosa de que el pensamiento tiene zonas prohibidas, que la crítica tiene costo, que hay temas que se piensan “hasta cierto punto”. Fanon describió la experiencia colonial como fijación desde afuera: el cuerpo y la subjetividad capturados por una mirada que define, rebaja, ordena (Fanon, 1952/2009). En el neocolonialismo contemporáneo, esa fijación no opera solo por la raza: opera por el estatuto geopolítico. Ser latinoamericano —en la imaginación imperial— puede quedar reducido a un supuesto de disponibilidad: territorios “de influencia”, economías “corrigibles”, gobiernos “reemplazables”.
En términos lacanianos, el deseo se constituye siempre en relación con el deseo del Otro; pero cuando el Otro se vuelve imperial, el sujeto queda empujado a desear en función de ese Otro: su aprobación, su modelo, su promesa; o, en el reverso, a odiarlo como único modo de sentir consistencia. En ambos casos, el deseo queda tomado. Se produce una colonización íntima: el sujeto ya no desea; administra su supervivencia en un campo ajeno (Lacan, 1960/2002). Bhabha había mostrado que la imitación nunca se completa: “casi lo mismo” produce ansiedad y, a la vez, deja un margen de fisura, una posibilidad de subversión (Bhabha, 1994/2002). Spivak advierte que, cuando el dispositivo ya habla por ti, incluso la rebeldía corre el riesgo de ser reabsorbida como mercancía discursiva: el subalterno aparece, pero bajo la voz del otro (Spivak, 1988). He ahí una de las heridas más finas: el poder no solo domina recursos; domina el escenario donde el sujeto puede reconocerse como autor de su palabra.
A esta maquinaria se suma el poder blando, el trabajo cultural sobre el deseo colectivo. Joseph Nye definió el soft power como la capacidad de obtener resultados por atracción: lograr que otros “quieran lo que uno quiere” (Nye, 1990). No se trata solo de bases y portaaviones; se trata de industrias narrativas, moralidades importadas, sentidos comunes que vuelven “natural” lo que es histórico y violento. El resultado es un continente que, aun sabiendo lo que ha vivido, puede ser empujado a dudar de su propia memoria: ¿fue intervención o fue “ayuda”? ¿fue rapto o fue “justicia”? ¿fue saqueo o fue “reconstrucción”? Allí se juega la captura del deseo: cuando el deseo del sujeto queda colonizado por el deseo del amo, el sujeto ya no desea; administra su supervivencia.
Por eso esta escena nos concierne como latinoamericanos: porque no es solo Venezuela; es el precedente regional de una soberanía condicional. Y porque, si no se la nombra con precisión, se vuelve costumbre. Una declaración ética —en el sentido fuerte de una ética del deseo y del pensamiento— empieza por no delegar la palabra. No se trata de adhesión fanática (“se lo merecía”) ni de indiferencia defensiva (“no es conmigo”): ambas posiciones facilitan lo mismo, la renuncia a la condición de sujeto. Se trata de sostener una frase que hoy parece elemental y, sin embargo, exige coraje civil: ninguna diferencia política interna habilita la intervención armada y el rapto de autoridades como método legítimo de reordenamiento internacional. La crítica a un gobierno —cualquiera— no puede convertirse en licencia para el retorno de la tutela imperial.
Decir esto no “arregla el mundo”, pero preserva el borde. Y preservar el borde es preservar la posibilidad de una vida humana donde el deseo no sea solo reacción y el pensamiento no sea solo miedo. Si aceptamos el rapto como herramienta normal, aceptamos la reducción de nuestros países a zonas administrables; y aceptamos —más íntimamente— la reducción de nuestras subjetividades a un cálculo de conveniencia. Lo que está en juego no es una simpatía política: es la defensa de un principio sin el cual no hay futuro común. Nombrarlo es sostener el borde. Y sostener el borde, hoy, es sostener la dignidad de la palabra y la libertad del deseo frente a la obscenidad del poder cuando el poder se disfraza de justicia.
Referencias (APA 7.ª ed.)
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Baudrillard, J. (1991). La transparencia del mal: Ensayo sobre los fenómenos extremos (J. Jordá, Trad.). Anagrama. (Obra original publicada en 1990)
Bhabha, H. K. (2002). El lugar de la cultura (C. Aira, Trad.). Manantial. (Obra original publicada en 1994)
Debord, G. (1999). La sociedad del espectáculo (J. L. Pardo, Trad.). Pre-Textos. (Obra original publicada en 1967)
Fanon, F. (2009). Piel negra, máscaras blancas (I. P. Yáñez, Trad.). Akal. (Obra original publicada en 1952)
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Mbembe, A. (2011). Necropolítica (E. Falomir, Trad.). Melusina. (Obra original publicada en 2003)
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Resumen ejecutivo (FAS/IRP): https://irp.fas.org/congress/ 1997_rpt/soaexec.htm
Palabras clave: Secuestro, Soberanía condicional,Colonialidad, Estado de excepción,Obscenidad del poder
Imagem: foto de Getty Images. BBC.
Estados Unidos atacaron diversas localidades en los alrededores de Caracas, incluido el Fuerte Tiuna, el mayor complejo militar venezolano.
Categoría: Politica y Sociedad
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