
Ensaios sobre acontecimentos sociopolíticos, culturais e institucionais do Brasil e do Mundo
Sódepois 70
Fevereiro/2026
Fevereiro é, por tradição, o mês do Carnaval. A maior festa do Brasil é marcada por um tempo de suspensão, que irrompe como um intervalo simbólico onde o Supereu faz vista grossa ao Eu e ao Isso, permitindo-lhes gozar de um tanto de satisfação. Um alívio momentâneo para o mal-estar imposto pela vida em sociedade, essencial para a “sobrevivência” psíquica. No entanto, além das tradicionais festividades carnavalescas, este curto – e talvez um tanto atípico – mês de fevereiro, também nos convocou a refletir sobre questões que ultrapassaram os movimentos pulsionais da festa de carnaval. Entre o brilho das fantasias, confetes e serpentinas característicos da folia, a psicanálise foi convocada a escutar as fendas de uma civilização que oscila entre a potência criativa e o risco do colapso, e percebemos isto a partir da grande quantidade de textos enviados para o Observatório Psicanalítico, o nosso OP, por nossos psicanalistas, mobilizados pelos intensos acontecimentos que marcaram este mês.
Iniciamos nosso percurso pelas ruas da periferia carioca. No ensaio “Entre o susto e o brilho” (OP 665/2026), Jeane Carvalho e Carlos Eduardo de Souza (SPRJ) nos apresentam os Bate-Bolas (ou Clóvis) tão comuns nas festas de carnaval nos subúrbios e periferias cariocas, brincadeiras concebidas como ferramentas de elaboração psíquica. Através do “realismo grotesco”, essas figuras transformam o medo real do cotidiano em jogo e performance, permitindo que o inconsciente desfile sob máscaras de cetim e barulho de bexigas. Os autores tentam definir o Clóvis como “um dispositivo coletivo que transforma angústia em forma, ameaça em jogo, invisibilidade em presença (…) Ele veste máscara, corre pelas ruas e nos lembra – entre o susto e o riso – que elaborar também pode ser festa”.
Em “Entre o Samba e o Poder” (OP 668/2026), Avelino Neto (SPBsb) compreende o carnaval como uma experiência civilizatória importante, que cumpre uma função legítima de compensação simbólica, ao permitir a expressão momentânea dos desejos reprimidos. Ao mesmo tempo, o autor faz um alerta para os riscos do que nomeia como “política festiva”, quando a política deixa de ser espaço de elaboração e de responsabilidade social, e a euforia substitui o pensamento crítico. Avelino aplica esta reflexão a uma situação concreta: embora escolas de samba tenham liberdade para homenagear quem quiserem, um presidente aceitar uma homenagem em ano eleitoral pode ser imprudente. O gesto, para o autor, pode alimentar polarizações e gerar desgaste democrático: “o que poderia ser celebração converte-se em narrativa acusatória. Pode, inclusive, custar caro nas urnas. Não falta quem queira atear fogo à nossa democracia”.
A preocupação com os rumos da política e com o futuro de nossa jovem democracia neste ano eleitoral também mobilizaram a escrita de Avelino Neto (SPBsb) no ensaio intitulado “Um por cento e a eternidade” (OP 663/2026). No texto, o psicanalista parte da ideia de que a próxima eleição pode ser decidida por “menos de 1% dos votos”. Argumenta que a disputa eleitoral não é apenas entre candidatos, mas entre diferentes formas de imaginar a política. De um lado, a democracia – imperfeita, lenta, mas capaz de aprender a se reinventar. De outro, a tentação do que Umberto Eco chamou de “fascismo eterno”: a busca por unidade simplificadora, respostas rápidas e intolerância à divergência. O autor sugere que o 1% decisivo talvez não esteja nas urnas, mas no compromisso cívico com as regras democráticas: “um pequeno percentual de compromisso com instituições, com imprensa livre, com alternância de poder, pode fazer mais diferença do que slogans inflamados. No fundo, a eleição não será apenas entre nomes, mas entre temperamentos políticos”.
Publicamos também o ensaio “Quando o Mundo Falha” (OP 658/2026) de José Antonio Sanches de Castro (SBPSP e GEP Marília), que versou sobre o caso do cão Orelha, morto de forma brutal em uma praia de Santa Catarina no mês de janeiro. Em seu texto, o autor desvela as mais profundas camadas que circundam este acontecimento que chocou o país, apontando para as fragilidades ambientais e sociais que culminaram na tragédia. Inspirado por Winnicott, José sustenta que atos violentos não nascem de um “vazio absoluto”, mas em uma perda: algo bom existiu e foi retirado. A destrutividade, pode assim ser um grito por reparação, uma resposta à falha do ambiente – família, escola, comunidade – que deixou de sustentar emocionalmente o jovem. Orelha era um símbolo na comunidade, um animal cuidado coletivamente. Sua morte foi muito além da perda de um cachorro, mas um ataque simbólico à ideia de cuidado e de solidariedade: “houve falha brutal, houve falha civilizatória. E precisamos pensar sobre isso – com rigor, com compaixão, com humildade” (…) Que possamos aprender a cuidar melhor de nossos adolescentes. Antes que mais Orelhas sejam necessários para nos acordar.” O caso segue sob investigação da justiça.
Na sequência, publicamos o texto “Existir é sonhar mundos impossíveis, é Erotar” (OP 659/2026) das psicanalistas Angélica Almada e Silvana Barros (SPFOR), escrito em parceria com a Interartista Bárbara Banida. Partindo do Dia da Visibilidade Trans, o ensaio busca tornar visível a pulsão de vida que emerge dos corpos dissidentes. A conversa com Bárbara, Angélica e Silvana acompanham práticas como o Ballroom e o projeto “Trair o (Cis)tema”, deixando-se afetar por essas vivências. Escrevem sobre a obra “Erotar”, criada pela interartista, que nasce do encontro entre os corpos e matérias que se tocam, vibram e se compõem mutuamente. Suas “criaturas” – esculturas de argila híbridas, não binárias, em constante passagem – simbolizam modos de existir que não obedecem à lógica normativa. Para as autoras, a experiência trans aparece como modo de existência, afirmação radical de vida. O ensaio questiona ainda se a psicanálise tem sabido escutar os corpos dissidentes ou se tem reforçado a invisibilidade sob o manto da neutralidade científica. Ao término do ensaio refletem que “se sonhar outros mundos não é fuga, mas necessidade vital, talvez a psicanálise seja hoje convocada a reaprender a sonhar com aqueles que, historicamente, sempre precisaram inventar mundos para sobreviver”.
A urgência de “ver o invisível” marcou o Dia da Visibilidade Trans. A psicanalista Daniela Abarca (SBPSP) refletiu sobre o significado da palavra visibilidade. No ensaio “O invisível” (OP 660/2026) a autora aponta que, diferente de uma data que celebra uma identidade, o dia 29 de janeiro marca uma conquista histórica: o direito de existir e ser reconhecido. Daniela propõe ampliar a discussão para além da questão trans, colocando no centro o tema do reconhecimento social e interno. Argumenta que a principal visibilidade a ser conquistada é a que cada pessoa desenvolve consigo mesma, destacando que o reconhecimento do self começa no olhar do cuidador, na função especular, fundamental à constituição psíquica. O desafio, é transformar a dependência do olhar do outro na construção de um olhar cuidador próprio, e a psicanálise se apresenta como espaço privilegiado neste processo, oferecendo a possibilidade de um novo olhar que permita revisar crenças, padrões e identidades cristalizadas. Como contraponto, a autora alerta para o risco de relações psicanalíticas que reforcem dependências ou jogos de poder, reproduzindo invisibilizações em vez de produzir autonomia: “quão deliciosa pode ser a conquista de se erguer do engatinhar para andar, abandonar as rodinhas para pedalar livremente uma bicicleta, ou ainda, não necessitar virar-se para trás em busca do olhar cuidador de alguém?”.
Outro ato de reconhecimento simbólico também se fez presente no mês de fevereiro, desta vez chamando atenção para a visibilidade do povo latino. A performance de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl foi lida por Sodely Páez (Sociedade Psicanalítica de Caracas – SPC) como a emergência do recalcado latino no coração do império anglófono. A autora lembra que “o Super Bowl é, por excelência, um ritual civil contemporâneo dos EUA. Funciona como um espaço de identificação coletiva no qual se representa uma ideia de nação, sucesso e pertencimento”. Ao sustentar o espanhol sem tradução, o artista rompeu com a centralidade do inglês como idioma hegemônico, e convidou o mundo a aceitar e a reconhecer identidades que deixam de ser exóticas para se tornarem enunciadoras de seu próprio desejo. Segundo Sodely, as reações polarizadas ao espetáculo evidenciaram uma “ferida narcísica” na identidade estadunidense. A mensagem final “Together we are America” sintetiza a proposta de coexistência e não de assimilação, provocando um deslocamento no qual a diferença deixa de ser periférica e passa a ocupar o centro da representação cultural.
Em “Antes da Psicanálise: O Projeto, Antes da conta: mais um chope” (OP 664/2026) Carlos Eduardo de Souza (SPRJ) traça um paralelo entre o texto freudiano de 1895 e os acontecimentos culturais recentes no Super Bowl. No caso de Freud, o Projeto, embora inacabado e ainda preso a um modelo neurológico, inaugura algo decisivo: a ideia de que a experiência deixa marcas e retorna. O autor aplica essa lógica à cultura contemporânea. O show histórico do Super Bowl com artistas ligados ao hip hop (Dr. Dree, Kendrick Lamar, Eminem e outros) foi um marco da inserção da cultura negra e periférica no centro da cultura hegemônica dos Estados Unidos. Um ato político de reconhecimento simbólico de um povo marcado pela exclusão social e pelo racismo. Segundo o autor, este momento funcionou como um “Projeto” cultural, abrindo fissuras no sistema hegemônico e ampliando o campo do que pode ser legitimado. Aponta que “assim como o Projeto freudiano não é ainda a Psicanálise, mas prepara sua emergência, certos acontecimentos culturais funcionam como operadores de campo: tornam possível que outras singularidades encontrem lugar de inscrição. Mas aqui é preciso sublinhar: esse campo não é neutro. Ele é atravessado por relações de poder, por hierarquias raciais, linguísticas e econômicas”, alerta.
No ensaio “Foi simples acidente” (OP 661/2026), Hemerson Ari Mendes (SPPel) analisa o filme “Foi apenas um acidente” dirigido pelo cineasta iraniano Jafar Panahi, concorrente ao Oscar de Melhor Filme Internacional. Partindo do próprio título, o autor destaca o paradoxo da expressão: nenhuma morte é “simples”. O filme aborda os efeitos psíquicos da tortura, mostrando que o trauma não é algo que o sujeito apenas possui – ele passa a ser o próprio trauma. A experiência violenta invade a vida inteira, insiste em reaparecer. O autor recupera a resposta de Freud a uma provocação sobre a ideia de que “compreender tudo é perdoar tudo”, na qual Freud afirma que compreender não significa perdoar, mas pode ajudar a defender-se da violência sem reproduzi-la. Hemerson reflete que “o traumático nunca é apenas ou simples. Pode ser elaborado pelas reencenações – cinematográficas ou não – das gerações seguintes; mas, não raro, permanece como um cadáver insepulto, insistindo em retornar”.
Infelizmente, o horror se fez presente neste mês de forma implacável, através do crescente número de feminicídios registrados no país. Ana Patrícia Rosa Ribeiro (SBPSP e NPU), no ensaio “Medeia hoje? Tragédia, intolerância à perda e a hipótese do machismo estrutural” (OP 666/2026) revisita o mito de Medeia, de Eurípedes, que mata os próprios filhos após ser abandonada por Jasão, aproximando o mito dos casos atuais em que homens, diante da ruptura conjugal, atacam os filhos e as suas famílias. A autora analisa como a intolerância à perda e o machismo estrutural podem colapsar o pensamento, transformando a dor narcísica em ato mortífero, a exemplo do caso recente ocorrido na cidade de Itumbiara, em Goiás, quando um pai assassinou os dois filhos e tirou a própria vida após uma suposta traição da ex-esposa, culpabilizada pela tragédia, mesmo estando na condição de vítima, escancarando mais uma vez o machismo estrutural entranhado nas camadas mais profundas de nossa sociedade. A psicanálise, então, é convocada a reafirmar a responsabilidade do ato e preservar uma escuta que não transforme a vítima em bode expiatório: “se, na tragédia, Medeia reconhece que a paixão pode ser mais forte que a razão, a psicanálise aposta em ampliar a capacidade de pensar a dor antes que ela se transforme em ato”, aponta a autora.
Em “Entre risco e invenção: a editoria como gesto psicanalítico” (OP 667/2026), Lúcia Palazzo e Tiago Mussi (SBPRJ) apresentam o lançamento da revista Trieb, da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro, propondo uma reflexão sobre o trabalho editorial como um gesto ético, político e psicanalítico. Editar uma revista é sustentar um espaço de pensamento vivo, marcado pela escuta da diferença, pelo diálogo entre saberes e pela articulação entre tradição e questões contemporâneas. O trabalho editorial é descrito como um processo complexo e imprevisível, atravessado por tensões e invenção – assemelhando-se ao trabalho analítico. Os autores destacam a experiência anterior na revista Calibán – Fepal, que enfrentou desafios institucionais, mas manteve viva a aposta de circulação do pensamento psicanalítico na América Latina. O tema da revista “Medo do Colapso” é pensado não apenas como evento individual, mas como fenômeno cultural e social: crises humanitárias, guerras, colapso climático, racismo, violência institucional e esvaziamento simbólico. Os autores questionam se estamos à beira de um abismo e como a psicanálise pode responder aos traumas contemporâneos: “diante deste cenário, talvez caiba à psicanálise – e aos espaços editoriais que a sustentam – não a ilusão de restaurar uma harmonia perdida, mas a tarefa mais modesta e mais radical de não recuar diante do conflito”.
O ensaio “É preciso estar atento e forte” (OP 669/2026) escrito em formato de carta pelo psicanalista Carlos Eduardo de Souza (SPRJ) é dirigido ao jovem psicanalista Manoel Neto, que faleceu após denunciar um episódio de racismo durante o carnaval de Salvador. Inspirado pela canção de Milton Nascimento “Carta a um jovem ator” e também pelo filme “Stand by me”, estrelado por River Phoenix, o autor tece reflexões sobre amizade, juventude e interrupção precoce da vida. A homenagem a Manoel Neto se dá lançando luz ao seu pensamento sobre o racismo, em um artigo escrito por ele intitulado “Entre a cor e a palavra, articulações sobre o racismo e sua dimensão significante”, no qual argumenta que a cor da pele não possui significado natural: torna-se socialmente relevante quando nomeada e inserida na linguagem. De acordo com este ponto de vista, o racismo não é apenas um preconceito individual, mas uma estrutura simbólica que antecede o sujeito e opera de forma inconsciente. O autor evoca a frase “É preciso estar atento e forte” como síntese da trajetória de Manoel: alguém que permaneceu atento e forte até o fim.
O último ensaio do mês de fevereiro “O Mito de Perséfone e o Rapto da Infância. Sobre a decisão que tentou absolver o inabsolvível” (OP 670/2026), de José Antonio Sanches de Castro (SBPSP e GEP Marília) trouxe reflexões sobre outro acontecimento chocante: a decisão do judiciário de Minas Gerais pela absolvição de um réu acusado de abuso contra menor. O autor utilizou o mito grego do rapto de Perséfone, narrado no Hino Homérico a Deméter, como metáfora para pensar a situação. O texto articula conceitos psicanalíticos de Freud, Ferenczi e Winnicott para pensar na estruturação psíquica da criança e em como a violência do adulto pode incidir na mesma, gerando confusão, culpa e trauma. José também aborda, em paralelo, sobre a estrutura das instituições psicanalíticas que, quando saudável, é capaz de proteger através do tripé. Entretanto, alerta de que “toda estrutura que combina hierarquia, transferência e segredo profissional carrega, em si mesma, a possibilidade de que o poder se curve sobre quem deveria proteger”, a exemplo também do caso ocorrido em Minas Gerais.
Ainda sobre este acontecimento, a Febrapsi se posicionou emitindo uma Nota de Repúdio. Após ter sido absolvido, o homem de 35 anos acusado de manter um relacionamento com a criança de 12 anos teve a prisão decretada pela Justiça. A nova decisão do desembargador Magid Nauef Láuar, que inicialmente havia absolvido o acusado, atendeu ao pedido do Ministério Público de MG. A mãe da criança também teve mandado de prisão expedido. O caso reacendeu no país o debate sobre proteção contra a violência e abuso sexual de crianças e adolescentes e o papel das instituições para garantir esses direitos. A nota reitera que “Defender a infância é resistir à lógica do tudo pode que vem no sentido de transformar crianças em mini adultos, sendo necessário reafirmar a dignidade da experiência infantil como fundadora da vida psíquica”.
Em meio a tantos acontecimentos difíceis do último mês, tivemos também um bom motivo para comemorar nossa brasilidade: Lucas Pinheiro Braathen conquistou a primeira medalha brasileira nas Olimpíadas de Inverno Milão-Cortina de 2026 na categoria esqui alpino. O atleta ficou na primeira colocação e recebeu medalha de ouro, uma conquista inédita para o país, que não tem tradição em esportes na neve. Esta conquista coloca o Brasil em evidência, superando limites geográficos e estruturais e fortalecendo a autoestima nacional, privilegiando, deste modo, o seu reconhecimento mundial. Vale lembrar que Lucas possui dupla nacionalidade. Nascido e criado na Noruega, é filho de mãe brasileira e optou por competir representando o Brasil “seu país do coração”.
Lançamos também, em fevereiro, o episódio “Porque sou eu, porque é ele: histórias de paixão, amor e amizade” dentro da temporada “O sexual na pólis”, de nosso podcast Mirante. Neste programa, recebemos os amigos Alex Cerveny, artista plástico, e Oswaldo Ferreira Leite Neto, psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, que conversaram sobre casais e amizade. Neste episódio do Mirante, escolhemos falar da amizade não como uma intimidade privada nem como uma celebração nostálgica, mas como uma experiência ética, um laço que dura no tempo, suporta diferenças, silêncios e transformações e cria espaço onde é possível pensar juntos. Partimos de uma amizade de mais de 40 anos para perguntar: o que sustenta vínculo ao longo do tempo? O que a amizade ensina sobre a alteridade, confiança e responsabilidade pelo outro? O que o laço, assim, nos ensina sobre viver, pensar e criar juntos tempos acelerados, fragmentados e marcados pela fragilidade dos vínculos? O episódio está muito instigante e pode ser ouvido em todos os principais tocadores de áudio.
O mês que pareceu não ter fim registrou ainda, em seu último dia, ataques dos EUA e de Israel a Teerã, no Irã, em uma operação que mirava a cúpula do governo e das Forças Armadas do país persa. Os iranianos imediatamente retaliaram a ação lançando mísseis contra Israel e bases americanas na região. O medo do colapso individual e social se faz novamente presente, escancarado nestas cenas. Como bem nos lembram os editores da Revista Trieb Lucia Palazzo e Tiago Mussi, em meio a um mundo que parece estar colapsando, editar e escrever para o Observatório é um gesto de aposta na palavra como laço. Um antídoto contra os horrores da violência. Os ensaios escritos por nossos colegas representam esta tentativa de dar nome ao indizível, de buscar alento e contorno através das palavras. Nosso OP, mais uma vez, longe de apenas observar passivamente os acontecimentos, revela, denuncia, nos provoca a refletir. Que possamos, neste tempo de caos e de incertezas, dar forma à angústia, transformar o silenciamento em presença e a dor em saídas criativas. Que sigamos atentos e fortes!
Boa leitura!
Equipe de Curadoria
Beth Mori (SPBsb), coordenadora
Ana Carolina Alcici (SPRJ)
Ana Valeska Maia (SPFOR)
Cris Takata (SBPSP)
Gabriela Seben (SBPdePA)
Giuliana Chiapin (SBPdePA)
Lina Schlachter Castro (SPFOR)
Palavras-chave: carnaval, política, psicanálise, criatividade, colapso
Imagem: Clóvis (Wikipédia)
Categoria: Editorial
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