Dilma e Miriam: mulheres brasileiras

Observatório Psicanalítico 11/2017

Ensaios sobre acontecimentos sociais, culturais e políticos do Brasil e do mundo.

 

Dilma e Miriam: mulheres brasileiras

Leonardo Francischelli

 

Nossos jornais trazem a notícia de que Miriam Leitão, quando regressava de Brasília, vinha no mesmo avião de muitos representantes do Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, que se realizara na capital do país.

Por sua condição de jornalista, colunista econômica do jornal O Globo, além de entrevistadora da Globo News, foi agredida, durante as duas horas que durou a viagem, com palavras tais como: “perversa inimiga do povo”, “uma terrorista”, “terrorista f… da p…” (Flávio Tavares, ZH, 17/18 de junho de 2017).

Anos atrás, muito jovem ainda, ela enfrentou a Ditadura direitista, foi presa, torturada, chamada de terrorista por se opor ao terror dos que assassinavam e seviciavam em nome do Estado.

Nessa mesma época, Dilma também se opunha a esses senhores que ditavam a verdade. Militou na “guerrilha”, foi presa e torturada como Miriam.

Depois a vida seguiu, e cada uma foi em busca de seus sonhos democráticos e de seus desejos de humanização do nosso país tão desigual. Uma trilhou o caminho da política e chegou até a Presidência do país; a outra fala todo dia sobre a política econômica, entrevista personagens para a televisão, além de produzir o documentário sobre Rubens Paiva, uma produção importante sobre a Ditadura militar.

Hoje, essa duas mulheres brasileiras são, uma ofendida dentro de uma aeronave por delegados de um partido político importante – o PT – e a outra, destituída da Presidência por deputados federais. No entanto, nem os primeiros nem os segundos contam, em suas biografias, com nada parecido do que encontramos nas biografias dessas duas mulheres.

Talvez possamos discordar dos percursos de Miriam e Dilma; porém, ofendê-las? Com que direito?! Quantos de nós contamos com essa história de um passado comprometido com uma causa? Por tudo isso, queremos resgatar nossa memória e homenagear essas duas mulheres, representantes legítimas da mulher brasileira e manifestar nosso repúdio a todos aqueles que as ofenderam.

 

(Os textos publicados são de responsabilidade de seus autores).

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