O dia 5 de junho assinala o Dia Mundial do Meio Ambiente, criado em 1972 durante a Conferência de Estocolmo pela ONU. Marco da mobilização global para a proteção ambiental, é uma busca por unir nações, organizações e indivíduos em torno de uma causa comum: garantir a sobrevivência dos ecossistemas para as futuras gerações.
No âmbito da psicanálise, a natureza não-humana emerge como objeto interno, revelando como nosso psiquismo é moldado pela relação com o ambiente não-humano: o ataque ao planeta é também um ataque à nossa saúde mental.
O trauma ecológico – luto pela perda de ecossistemas e espécies e a desconexão com o mundo não-humano produzem sofrimento psíquico e geram crises existenciais e identitárias. Reconhecer a importância desse tema implica uma necessária expansão de nosso campo teórico-clínico, com a reelaboração de conceitos como objeto, vínculo e subjetividade para incluir a relação com o planeta.
Detentor de 20% das espécies do planeta, o Brasil desempenha papel fundamental na conservação da biodiversidade e no combate à crise climática com seus biomas tropicais funcionando como grandes sumidouros de carbono. Temos feito avanços importantes, reduzindo o desmatamento em 50% na Amazônia e 32% no Cerrado entre 2022 e 2025 segundo dados do INPE. Esse progresso está sob séria ameaça com os recentes Projetos de Lei aprovados na Câmara dos Deputados durante o “Dia do Agro”. Eles enfraquecem mecanismos de proteção, restringem a fiscalização por satélite e reduzem áreas de conservação.
Quando a degradação ambiental acontece, empobrece-se o campo que sustenta a capacidade de sonhar, simbolizar e sentir-se vivo.
O que nos impede de enxergar os danos crescentes que continuamos impondo ao planeta?
Parece que a pulsão de morte avança sobre qualquer possibilidade de pensar e agir segundo nossa responsabilidade para com a vida.
O Dia Mundial do Meio Ambiente convoca a psicanálise ao pensamento e à ação: função de Eros, que trabalha pela Vida e cria as possibilidades de deixarmos às futuras gerações o direito de desfrutá-la.
Comissão de Psicanálise, Clima e Vida da FEBRAPSI

